Quem está começando na pesca com iscas artificiais esbarra rápido num vocabulário que parece outro idioma. Aqui vão os termos mais usados no dia a dia de quem pesca no Brasil — sem tradução forçada do inglês, do jeito que se fala na beira d'água.
Cabeleira — quando a linha da carretilha embola no carretel durante o arremesso, formando um emaranhado. É o pesadelo de quem está aprendendo a usar carretilha; ajustar bem o freio de arremesso evita.
Fisgada (ou ferrada) — o movimento de puxar a vara pra cravar o anzol na boca do peixe assim que ele belisca a isca.
Arremesso — o lançamento da isca. Termo já totalmente incorporado ao português da pesca, não precisa de tradução.
Estrutura — qualquer coisa submersa que sirva de esconderijo ou ponto de caça pro peixe: tronco, pedra, vegetação, cascalho. Pescar "na estrutura" é jogar a isca perto desses pontos.
Bater isca — trabalhar a isca de forma ativa na água, dando repuxões e variando o ritmo, em vez de só recolher a linha de forma constante.
Rebojo — o arrasto/ondulação que aparece na superfície da água quando um peixe se move logo abaixo, perseguindo ou caçando.
Estouro — a explosão visível na superfície quando um peixe ataca uma isca topwater (que trabalha na superfície).
Zarar — trabalhar a isca em zigue-zague, de um lado pro outro, imitando um peixe ferido. Dá nome também a um tipo de isca de superfície, a zara.
Matadeira — apelido informal para uma isca que está sendo especialmente eficiente num dia ou pesqueiro específico.
Iscólatra — quem é apaixonado (ou fanático) por pescar com iscas artificiais.
Líder — trecho de linha mais resistente (geralmente fluorcarbono) amarrado entre a linha principal e a isca, pra resistir à abrasão de dentes, estrutura ou pedras.
Snap — a presilha metálica usada pra trocar de isca rapidamente sem precisar desfazer o nó.
Libragem — a resistência da linha, medida em libras (lb). Também usada informalmente pra descrever a "força" de uma vara.
Memória da linha — a tendência da linha de manter o formato enrolado do carretel mesmo depois de esticada, atrapalhando o arremesso. É mais comum em monofilamento velho ou mal armazenado.
Catimba (ou catimbar) — trabalhar a isca de forma bem lenta e provocante, quase sem deslocá-la do lugar, insistindo pra irritar um peixe que já demonstrou interesse mas não atacou.
Matar a charada — descobrir a combinação certa de isca, cor, tamanho e trabalho que o peixe quer naquele dia específico. Quando "mata a charada", os peixes começam a vir.
Ataque por reação — quando o peixe morde a isca por instinto, não porque está com fome. Costuma acontecer em trabalhos rápidos e bruscos, que provocam uma resposta automática de ataque.
Rattling (ou "rato") — a chocalhada interna de algumas iscas de superfície, feita de esferas soltas que batem e fazem barulho durante o trabalho, ajudando o peixe a localizar a isca em água turva ou à noite.
Amortecer (a queda da isca) — técnica de arremesso em que se freia a isca no ar com a ponta da vara pouco antes dela tocar a água, fazendo-a cair suavemente e sem espantar o peixe.
